Por Luiz Eduardo Silva Parreira
Quando os canhões alemães e italianos silenciaram-se, entre 1870 e 1871, o mundo de então entrava numa nova era de equilíbrio de forças. Naquela época o oriente – médio e extremo – não passava de colônias, de terras a serem administradas pelas metrópoles coloniais. Fruto desse equilíbrio, as nações começaram movimentos de tomada de espaços geopolíticos que culminaram, dentre entre outros fatores, na I Guerra Mundial. Tão devastadora em suas conseqüências – muito em razão das novas armas ali testadas e apresentadas – que chegou-se a denominar aquele conflito como o último no qual a humanidade se digladiaria. Uma romântica esperança que morreu definitivamente em 1939, com os tiros do encouraçado alemão Schleswig-Holstein contra a cidade de Danzig (atual Gdansk), na Polônia: a Segunda Guerra Mundial, o maior conflito visto pelo homem.
| Forças norte-americanas sobrevoam a baía de Tóquio, em 2 de setembro de 1945. Em destaque o encouraçado Missouri. Fonte: American Veteran Center |
Quando a segunda grande guerra terminou, em 1945, o eixo de poder mundial ainda continuava na Europa, agora temperado com o perigo da guerra nuclear. Foi a época da Guerra Fria e suas poderosas alianças militares: a OTAN e o Pacto de Varsóvia. No entanto, mesmo assim, as decisões ainda orbitavam interesses no Velho Continente.
Mas a recente declaração dos Estados Unidos, do início de 2012, de diminuição de seus arsenais de algumas partes do mundo, mas reforçando-as na Coreia e Oriente Médio, deixa claro que a Europa ainda será um teatro de operações importante; contudo, é o leste do mundo que será a principal arena de interesses na primeira metade do século XXI.
| U.S. Secretary of Defense Leon Panetta details the Defense Strategic Review after it was introduced by U.S. President Barack Obama at the Pentagon. Fonte: WTHC News |
E alguns dos envolvidos sabem disso: a China testa novos caças faz 10 anos e prepara para lançar seu primeiro porta-aviões; a Coreia do Norte aperfeiçoa seu arsenal nuclear; a Índia está no meio de um ambicioso projeto de modernização de suas forças armadas (a quarta maior potência militar do mundo); a Rússia reforçando sua presença ao leste do país, na Península de Kamchatka; o Japão (outra força poderosa na região, com forças armadas bem preparadas, tecnologicamente avançadas e mais de 400 mil homens), mesmo depois da devastação do terremoto e tsunami do ano passado, apresentou seu programa de aeronaves stealth e renovação de parte de seu arsenal; o Irã compra mísseis antiaéreos russos, negocia com chineses contratos militares e age de maneira hostil contra forças superiores, o que deixa um ar suspeito no ar ...
| Projeto stealth japonês. Fonte: defense.pk |
Só por esses breves comentários, sem sombra de dúvidas, percebe-se que o tabuleiro de xadrez desse novo milênio, apesar de novo, já começou a mexer suas peças. Não se tem como prever aonde chegarão os movimentos geopolíticos feitos agora. A única certeza é que eles darão o tom das conversações que nossos filhos e netos ouvirão.
| Parte dos novos cenários mundiais no século XXI: China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Rússia e Japão. Os Estados Unidos têm bases militares na Coreia do Sul e no Japão. |
Obs.: Admirável mundo novo é o título de uma obra de Aldous Huxley (1894 - 1963), de 1932, onde narrava um futuro cinza para a humanidade.